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Blockchain, muito além do bitcoin

Imagine um caderno que faz registro de transações e de dados, mas que não proporciona real segurança quanto ao histórico e às atualizações, já que seus registros podem ser alterados e excluídos devido a falhas de controle. Este caderno ainda possui uma figura controladora que de forma centralizada supervisiona as transações entre os usuários do caderno. Mas esse controlador também pode falhar e assim a credibilidade do caderno como plataforma fica comprometida.

Agora imagine um caderno com a tecnologia blockchain. Neste caderno, todas as transações são registradas em blocos e não podem ser desfeitas. Os ajustes são feitos por meio de novos blocos de informações. Não há um grande intermediário controlando essa plataforma que pode servir como meio de troca de informações financeiras ou contratuais. Na verdade, uma rede com inúmeros usuários supervisiona esse caderno e ninguém pode "arrancar" ou “adulterar” uma página aleatoriamente (o que traria insegurança para aqueles que participam da plataforma).

A analogia do caderno comum e do caderno blockchain é uma das melhores que eu já ouvi para compreender essa tecnologia, seu autor é o empreendedor Alberto Azevedo, Founder e CMO da Salo Capital. Quando falamos de blockchain, nos referimos a uma tecnologia que vai mudar nosso futuro e são muitas as aplicações possíveis. De primeira mão pensamos no mercado financeiro, que ainda tem como pilares grandes intermediadores e em muitos casos funciona por meio de sistemas que foram concebidos no pós-guerra. Mas essa tecnologia tem braços longos e dará frutos em diversos campos, como na saúde, em negócios baseados em contratos e nas demais necessidades de trocas de informações em velocidade instantânea e com máxima segurança.

Bitcoin, o filho mais famoso do blockchain


O blockchain ganhou muita visibilidade por meio da criptomoeda bitcoin. É interessante notar que a mais conhecida entre as criptomoedas foi concebida logo após a crise do sistema financeiro em 2008 e 2009. Naquela ocasião, grandes bancos e órgãos reguladores perderam a credibilidade, descobrimos que reservas, investimentos e as moedas dos principais países do mundo eram geridos por sistemas falhos. A sociedade, em escala mundial, foi surpreendida pelo grau de descontrole na regulação de mercado de capitais e nas práticas monetárias.

Foi neste momento que um grupo de programadores autonomeados de Satoshi Nakamoto sugeriu a criação de um ativo incorruptível, já que ele seria comercializado num "caderno" de blockchain. O ativo digital seria controlado por uma rede e todas as transações que envolvessem o ativo seriam criptografadas e não corriam os mesmos riscos de outros ativos da economia tradicional.

A valorização do bitcoin se dá por algumas razões. Por um lado, a sua oferta é limitada a 21 milhões de bitcoins. Por outro lado, os programadores que garantem que as transações em bitcoins via blockchain ocorram são remunerados por adicionar os novos blocos, por “minerar” como se diz no meio das criptomoedas. A partir daí nós temos diversos agentes econômicos que começam a acreditar que esse “cripto-ativo” pode realmente assumir o papel de uma moeda, mas como sua avaliação é cheia de incertezas, o que se vê é a uma grande oscilação na sua apreciação desde seu nascimento.

Há muita controvérsia quanto ao sucesso e futuro do bitcoin como ativo ou moeda de fato, mas o que não se escuta é que o blockchain não seja promissor. Na área financeira, a plataforma Ripple tem atraído aliados de peso entre bancos e fintechs e promete revolucionar pagamentos internacionais e operações de câmbio. Sua moeda, XRP, garante a liquidação rápida e segura das transações. A Ethereum é outro exemplo de aplicação do blockchain para contratos, sua promessa é funcionar como uma rede pública de contratos e transações incorruptíveis, a moeda da plataforma é o Ether.

Uma das áreas mais interessantes para aplicação do blockchain é saúde. Nossos dados e nosso histórico de patologias e tratamentos estão dispersos entre hospitais, laboratórios, clínicas e profissionais. Podemos imaginar o potencial de integrar e organizar esses dados, não é mesmo? Dada a necessidade de segurança e de privacidade de informações de saúde de um cidadão a solução blockchain cai “como uma luva”.

O futuro vai nos apresentar diversos cases de aplicação do blockchain e de suas virtudes para uma era com grande volume de dados, mas que muitas vezes deixou a desejar na integração e na privacidade dos mesmos. Se não dá para prever se o bitcoin será um desses cases, ao menos esta criptomoeda ajudou a tornar o blockchain mais conhecido, o que já é uma evidência de seu valor.
Por Jean Saghaard

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